
A proposta de proibição total de caminhões nas marginais de São Paulo gera preocupações no setor de transporte, segundo Carlos Panzan, presidente da FETCESP.
Ele destaca que a via Rodoanel, já congestionada, não tem capacidade para absorver todo o fluxo atualmente permitido nas marginais, o que poderia transferir o problema de tráfego.
Panzan fez um apelo pela necessidade de diálogo entre as partes envolvidas para encontrar soluções antes que a decisão seja efetivada, alertando sobre os impactos no abastecimento e no cotidiano das pessoas.

Preocupações sobre a capacidade do Rodoanel
Uma nova proposta que poderia alterar significativamente a movimentação de caminhões fora das marginais tem causado apreensão no setor de transporte de cargas. Carlos Panzan, presidente da FETCESP, expressou preocupação com a possibilidade de uma proibição total de caminhões nas marginais, que deve entrar em vigor assim que a última fase do Rodoanel for concluída. Ele questiona como será o abastecimento em São Paulo diante desse cenário incerto.
Panzan argumenta que, atualmente, o Rodoanel já apresenta problemas de capacidade, uma vez que a via está operando de maneira autossustentável e enfrentando congestionamentos, o que levanta a questão de como o fluxo de caminhões que circula pelas marginais será redirecionado sem um planejamento adequado. “Como vamos fazer? Esse assunto é realmente preocupante”, afirmou.
Necessidade de mudanças estruturais
De acordo com Panzan, a solução para essa situação passa por uma mudança estrutural no setor, sugerindo a implementação de entregas noturnas nos grandes centros urbanos. Esse modelo, discutido ao longo de cerca de 40 anos, concebe que shoppings e supermercados recebam as mercadorias à noite, período em que o trânsito é menos intenso, permitindo tempo suficiente para a distribuição durante o dia. Além de otimizar os custos operacionais, essa proposta poderia ainda gerar empregos.
No entanto, a falta de padronização nas entregas se apresenta como um dos principais obstáculos. O presidente da FETCESP menciona que grandes hipermercados nas marginais cometem erros ao terem condições inadequadas para receber mercadorias, como exemplo, a existência de apenas duas docas para um estacionamento que comporta 18 mil carros. Para ele, ao aprovar novos empreendimentos, as prefeituras deveriam exigir áreas de descarga adequadas, contornando a falta de coordenação nas construções recentes.
Outros problemas surgem da falta de alinhamento entre as operações logísticas e a rotina do trabalho nas empresas. Atacadistas nem sempre estão dispostos a manter equipes à noite para receber as cargas, e a legislação limita o tempo que o motorista pode permanecer no local – um máximo de oito horas, enquanto a entrega pode tomar de 16 a 20 horas. Panzan sintetiza a situação: “Uma coisa não bate com a outra”.
Cenário de crescimento sem planejamento
No contexto regional, a cidade de Campinas é apontada como um exemplo de crescimento urbano sem um planejamento adequado de mobilidade. Panzan observa que a cidade se transformou em um verdadeiro dormitório, gerando um fluxo de veículos que supera a capacidade das rodovias. Ele também sugere que a implantação de um trem rápido poderia ajudar a reduzir o tráfego de carros na capital, mas ressalta que outras medidas são igualmente necessárias para enfrentar os desafios de mobilidade.
Por fim, Panzan enfatiza a importância do diálogo entre o setor e os órgãos governamentais antes que novas restrições sejam impostas. Segundo ele, a FETCESP está mantendo um diálogo ativo com o governo e a Artesp para orientar novas concessões e melhorar a situação do transporte. Panzan alerta que, sem alternativas adequadas, as proibições podem encarecer o abastecimento e impactar o consumidor final. Ele argumenta que é essencial mostrar como a cidade continuará sendo abastecida antes de tomar medidas que possam complicar ainda mais a logística urbana.