
Dívida como ‘prioridade zero’ no plano de governo
Na sabatina da Rede 98, Alexandre Kalil, candidato ao governo de Minas Gerais, enfatizou a questão da dívida do Estado como um tema central de sua proposta. Durante a entrevista, ele declarou que a renegociação dessa dívida será a primeira ação em sua administração, considerando-a sua prioridade máxima. Para abordar essa questão, Kalil planeja estabelecer um gabinete de crise dedicado a fortalecer as negociações em Brasília.
O ex-prefeito de Belo Horizonte destacou que a situação das finanças de Minas Gerais influencia diretamente nas capacidades de investimento do Estado, como a contratação de novos policiais e o aumento de salários para os servidores públicos. Kalil fez comparações com outros estados, onde grandes obras estão em andamento, enquanto Minas enfrenta desafios financeiros para cumprir com suas obrigações orçamentárias.
“Se compararmos, São Paulo está construindo um túnel subaquático, enquanto a Bahia está erguendo uma ponte sobre o mar. Aqui, estamos apenas focados em pagar os salários”, enfatizou Kalil.

Críticas à criação do Ministério da Segurança
Sobre segurança pública, Kalil criticou a iniciativa do governo federal em criar um Ministério da Segurança Pública, argumentando que esta atribuição deveria ser deixada aos governos estaduais, que administram suas polícias. Para ele, a solução seria a destinação de recursos financeiros diretos para os estados, ao invés da burocracia que poderia emergir de um novo ministério.
“A responsabilidade pela segurança é dos governos estaduais. Se o governo federal realmente deseja ajudar, a maneira mais eficaz é simplesmente injetar dinheiro no sistema. Isso é o que precisamos e não a criação de mais burocracia”, assinalou Kalil.
Ele sugeriu que o governo federal deveria alocar pacotes de recursos nas diferentes unidades da federação, com condições específicas para que esses recursos fossem usados na segurança pública. Kalil acredita que os governadores têm uma compreensão mais precisa sobre as necessidades de seus estados do que a administração federal.
Infraestrutura e o Rodoanel Metropolitano
Kalil também abordou as questões relacionadas à infraestrutura, particularmente fazendo críticas ao projeto do Rodoanel Metropolitano. Embora não se opõe à construção do Rodoanel, ele questionou a sua localização específica e a priorização em relação à necessidade de melhorias em outras estradas e rodovias do estado.
Ele destacou que a atual situação das vias em Minas Gerais pode estar comprometendo o crescimento econômico e a segurança do transporte em várias regiões, especialmente no norte do estado e na conexão com Governador Valadares. Para Kalil, é crucial reavaliar onde os investimentos estão sendo direcionados para que as necessidades de transporte e conectividade sejam verdadeiramente atendidas.
A autocrítica de Kalil sobre 2022
Refletindo sobre sua derrota nas eleições de 2022, Kalil assumiu a responsabilidade pela perda. Ele analisou que, ao invés de culpar aliados ou circunstâncias externas, o foco deve ser em aprender com os erros pessoais. Kalil expressou que deveria ter crescido mais no interior do Estado antes daquela eleição, para fortalecer sua base de apoio.
“Eu sou o único responsável pela derrota. Não posso atribuir a culpa a outros, como a equipe de campanha ou o apoio político de figuras como o Lula. O erro foi meu, e estou trabalhando para não repeti-lo”, declarou o candidato.
Minas Gerais e a necessidade de investimentos
Kalil reafirmou sua determinação de tratar Minas com uma perspectiva mais autônoma na política nacional. Ele pretende conduzir sua campanha de forma a não ser dependente de figuras políticas reconhecidas, como Lula ou Bolsonaro, ressaltando que esta é uma nova fase em sua carreira política.
Ele mencionou que as recentes experiências em sua administração e a necessidade de Minas Gerais se tornar um estado com soluções locais para suas questões têm sido um aprendizado significativo. Kalil almeja que Minas não seja apenas um ponto de campanha, mas que tenha políticas voltadas para o desenvolvimento local.
Custos operacionais e reajustes salariais
A questão dos custos operacionais do estado e os necessários reajustes salariais foram debatidos durante a sabatina. Kalil enfatizou que melhorar as condições de trabalho dos servidores afetará a eficiência do governo e a qualidade dos serviços oferecidos à população. Ele defende que as finanças do estado devem ser estruturadas para permitir não apenas o pagamento das dívidas, mas também a valorização dos servidores.
Relação entre dívida e segurança pública
Dois dos temas que mais preocupam os mineiros são a dívida do estado e a segurança pública. Kalil fez uma conexão entre esses dois fatores, enfatizando que um Estado com finanças equilibradas terá mais capacidade de investimento em segurança. Ele argumentou que essa interdependência deve ser levada em consideração nas prioridades de um futuro governo, afirmando que investimentos em segurança são essenciais para a confiança e a paz social.
Reflexões sobre a pandemia e sua condução
Quando questionado sobre as decisões tomadas durante a pandemia de Covid-19 enquanto era prefeito, Kalil defendeu as medidas que adotou, reafirmando que as estratégias que colocaram a saúde pública em primeiro lugar foram eficazes, demonstrando com seu alto índice de aprovação nas eleições subsequentes que a população reconheceu seu esforço.
“Fui eleito com uma das maiores votações da história da cidade, 66%, o que prova que as decisões foram bem aceitas pela população”, declarou.
Oposição ao Rodoanel que afeta a indústria
Por fim, a posição crítica de Kalil sobre o Rodoanel não se limita apenas a questões de localização, mas também se reflete em preocupações com o impacto que a obra pode ter sobre a indústria local. Ao expressar suas ideias, ele relatou que a construção do Rodoanel deve considerar as consequências econômicas e logísticas para empresas existentes e futuras.
Planos futuros e a independência política
Kalil concluiu sua participação na sabatina expressando uma visão clara: deseja focar em Minas Gerais e fomentar um governo que responda diretamente às necessidades da população, sem depender de alianças políticas em nível federal. Ele reiterou sua intenção de criar um Estado protagonista, que busque soluções internas para problemas que afligem a sociedade mineira.